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Dermatites Bacterianas

·Dra. Jennifer Santos

As dermatopatias bacterianas estão entre as afecções mais frequentemente diagnosticadas na rotina clínica de pequenos animais. Essas infecções podem ser classificadas em superficiais ou profundas, sendo essa diferenciação fundamental para a definição do prognóstico, da investigação da causa primária e da escolha do tratamento mais adequado.

A pele possui uma microbiota residente composta por diversos microrganismos que coexistem em equilíbrio e desempenham importante papel na proteção contra agentes patogênicos. Quando ocorre uma falha na barreira cutânea ou um desequilíbrio desse ecossistema, a pele torna-se mais suscetível à colonização e proliferação bacteriana, resultando no surgimento de sinais clínicos como eritema, pápulas, pústulas, crostas, alopecia, dor, prurido e secreções.

As piodermites profundas, também conhecidas como infecções bacterianas profundas da pele, acometem estruturas localizadas além da epiderme e podem atingir folículos pilosos, derme e tecido subcutâneo. Entre os fatores predisponentes mais comuns destacam-se doenças alérgicas, imunossupressão, lesões cutâneas extensas, ectoparasitoses (como as sarnas), lambedura excessiva, traumas e mordeduras. Essas condições favorecem a ruptura da barreira cutânea e permitem a instalação de agentes bacterianos oportunistas, como Staphylococcus spp., Pseudomonas spp., Proteus spp., entre outros.

Nesse contexto, a atuação do Médico Veterinário é indispensável. Além de identificar e tratar a infecção bacteriana, é fundamental investigar e controlar a causa primária responsável pela alteração da pele. O tratamento apenas da infecção, sem a correção do fator desencadeante, frequentemente resulta em recidivas (retorno) e cronificação do quadro.

Outro aspecto de grande relevância é o uso racional dos antimicrobianos (antibióticos). A automedicação por parte dos tutores, seja utilizando medicamentos sem prescrição ou interrompendo tratamentos precocemente, contribui significativamente para o desenvolvimento da resistência bacteriana. Esse fenômeno ocorre quando as bactérias sobrevivem à exposição inadequada aos antibióticos e desenvolvem mecanismos que reduzem ou impedem a ação dos medicamentos, tornando futuras infecções mais difíceis de tratar.

Por esse motivo, o diagnóstico correto, a realização de exames complementares quando indicados como citologia, cultura bacteriana e teste de sensibilidade antimicrobiana e a escolha adequada do protocolo terapêutico são etapas essenciais para garantir a recuperação do paciente e minimizar o avanço da resistência bacteriana, um dos maiores desafios da medicina veterinária.

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